sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Maria Lamas no Mês das Bibliotecas Escolares


Aula aberta com o professor Messias (18.10.2013)

Na sua apresentação,  Messias Martinho de Oliveira, professor de Português aposentado, salientou que "às vezes somos capazes de mais coisas do que à partida julgamos poder fazer". Pôde confirmar, ao longo dos seus 66 anos de vida, que o" mundo dá muitas voltas" e que nunca devemos desanimar. 

 "Comunicar" significa  "pôr em comum", palavra que se aplica a Maria Lamas, na medida em foi uma defensora da paz, da harmonia, da verdade, da igualdade e da felicidade do ser humano, em particular das mulheres. O professor concluiu a sua apresentação com a apresentação dos alunos, tendo convidado uma aluna e um aluno a fazerem-no: identificando-se, apresentando as suas preferências extra-escolares e as suas expectativas para a vida.

Tendo em conta as dificuldades que marcaram tantos períodos históricos, nomeadamente aquele em que Maria Lamas viveu, o professor Messias deteve-se nos aspetos positivos da nossa portugalidade. Temos os melhores vinhos e azeites, o maior lago da Europa, auferimos de uma das maiores zona económicas exclusivas da Europa, muito superior em dimensão ao território continental. Destacou inevitavelmente a importância da nossa língua, uma das mais faladas no mundo, com um elevado valor económico e que produziu marcas indeléveis em culturas tão distantes, como é o caso do Japão ou da Índia. O país, contudo, não consegue tirar partido destas riquezas. O professor aconselhou os alunos a envolverem-se politicamente, em qualquer partido, a serem exigentes e a agirem, não se limitando a deixar as decisões para outrem. O alheamento e a destruição são "atitudes fáceis"; o que é difícil é construir.

Destacou um conjunto de lemas, que pronunciou em latim, como "Mare nostrum magnum" - o nosso mar é imenso - e outros que traduzimos livremente, nomeadamente:

Para se chegar ao alto tem que se fazer sacrifícios;
Mente sã em corpo são;
A lei é dura, mas é lei;
O melhor entre muitos (pelas vias corretas);
A fortuna protege os audazes;
Cheguei, vi e venci;
Usufrui da vida (só temos uma vida).

Messias Martinho teceu elogios à Exposição patente na BMGPL, referindo-se à forma como ali se expõe a vida de Maria Lamas.
A patrona da nossa escola é uma figura ímpar, tendo sido considerara a "mulher mais completa do séc. XX". Para que os alunos entendessem melhor a razão de tal afirmação, o professor Messias levou os alunos a recuarem no tempo, a um período sem televisão nem telemóveis, marcado por duas guerras mundiais, pelas agruras do quotidiano e pela censura. Oriunda de uma família da burguesia torrejana, a ação de Maria Lamas estendeu-se à tradução, ao jornalismo, tendo sido uma das primeiras mulheres jornalistas, à literatura para adultos e crianças. Maria Lamas foi uma humanista convicta, tendo afirmado, já no final da vida, marcada por tantas adversidades, como o exílio e a prisão, estar convencida de que "as únicas coisas que valem a pena na vida são sonhar e lutar".

Por fim, o professor Messias desejou que não sucedesse aos alunos o que se deu com o Cavaleiro Andante de Antero de Quental:


O Palácio da Ventura

Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas de ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d'ouro com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais!









Maria Lamas, a sua vida no nosso quotidiano







segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Aula aberta com o prof. Natal da Luz (07.10.2013)

Conversámos com o Dr. Natal da Luz, professor de História aposentado, à saída da aula aberta com o 9B, sobre a abordagem que teve com os alunos.
O professor referiu ter contextualizado a Maria Lamas no Portugal da época, o Estado Novo, salientando a sua luta em defesa dos direitos das mulheres e em prol da liberdade, da democracia e da dignidade da pessoa humana. Procurou também mostrar como no Portugal da época os governantes procuravam reduzir a mulher à condição de mãe e quase escrava do marido e dos filhos. Chamou igualmente a atenção para o facto de, ainda nos nossos dias, as desigualdades continuarem a existir mormente no acesso à educação em muitas zonas do globo.


Um dos livros utilizados no ensino primário no Estado Novo

Exemplo de um texto do livro escolar da primeira classe, em que se alude à educação das meninas e ao papel da mulher na sociedade.

Exemplo de um outro texto do mesmo livro, em que se evidencia o papel do homem enquanto chefe e sustento da família.

Uma referência atual, na imprensa recente, à desigualdade das mulheres no mundo.




O professor Natal da Luz.







quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Exposição «SEMPRE MAIS ALTO - MARIA LAMAS»


«SEMPRE MAIS ALTO - MARIA LAMAS», exposição comemorativa dos 120 anos do nascimento da escritora torrejana, é uma tentativa de reaproximação de Maria Lamas aos seus conterrâneos, através da afinidade com os objetos do seu quotidiano, com as fotografias de família – tão iguais às das nossas casas – e com os seus livros, onde se descobrem dedicatórias escritas à mão, assinadas pela Mãezinha, pela Avó Maria ou, simplesmente, por Maria Lamas.